terça-feira, 9 de agosto de 2016

MARÍLIA DE DIRCEU

      TOMÁS ANTÔNIO GONZAGA  (1744-1810)  

Nasceu em Portugal e morreu em Moçambique. Filho de pai brasileiro veio para o Brasil aos oito anos.
Envolvido com a Inconfidência Mineira, foi preso em 1789 e enviado à Moçambique, na África, onde passou boa parte de sua vida. Foi na prisão que escreveu parte da obra.

É considerado um dos grandes nomes do Arcadismo.


CARACTERÍSTICAS DO ARCADISMO

Exaltação ao bucolismo (vida pastoril);
Exaltação da natureza;
Tranquilidade no relacionamento amoroso;
Universalidade (comum à maioria dos homens);
Utilização de períodos curtos;
Utilização de verso sem rima (verso branco);
Presença de entidades mitológicas.

IMPORTÂNCIA DO LIVRO MARÍLIA DE DIRCEU
Escrito no século XVIII, a obra pertence ao Arcadismo, mas já apresenta características do Romantismo.

O Arcadismo (símbolo de vida ideal) coincide no Brasil com a crise da lavoura açucareira e a descoberta das primeiras minas de ouro e pedras preciosas, deslocando o eixo econômico do país da região Nordeste para a região de Minas Gerais.

Idéias de libertação do Brasil de Portugal culminaram na Inconfidência Mineira da qual participaram muitos escritores árcades.

RESUMO DA OBRA

Primeira Parte:
Pastor Dirceu, responsável pela voz do poema, descreve todo o seu sentimento pela jovem Marília.

Escrita antes da prisão do autor, nota-se uma preocupação intensa em louvar a beleza da amada.

Outro objetivo do eu lírico nesse trecho parece ser o de se colocar à altura dela, fato que fica claro pela afirmação de uma posição social nas primeiras liras.

Além disso Dirceu apresenta  seus planos em relação ao futuro com Marília.
O eu lírico deseja uma vida bucólica (pastoril) e serena, com filhos, em um ambiente campestre fortemente marcado pela presença da natureza.

Segunda Parte:
Elaborada na prisão, local para o qual o autor e o eu-lírico se deslocam o tom é de tristeza, lamento e devaneios misturados a lembranças do passado.

Terceira e última parte:

Predomina o tom solitário e pessimista . Dirceu repete sua tristeza e saudade de Marília, sem o otimismo e o louvor à natureza presente no trecho inicial.

TRECHOS DA OBRA

"Tu não verás, Marília, cem cativos
tirarem o cascalho, e a rica terra,
ou dos cercos dos rios caudalosos,
ou da minada serra.
Não verás separar ao hábil negro
Do pesado esmeril a grossa areia,
E já brilharem os granetes de ouro
no fundo da bateia.

[...]

Verás em cima da espaçosa mesa
Altos volumes de enredados feitos;
Ver-me-ás folhear os grandes livros,
E decidir os pleitos.
Enquanto revolver os meus consultos
Tú me farás gostosa companhia,
lendo os fatos da sábia mestra história,
e os cantos da poesia.
Lerás em alta voz a imagem bela,
Eu vendo que lhe dás o justo apreço,
Gostoso tornarei a ler de novo
o cansado processo.
Se encontrares louvada uma beleza,
Marília, não lhe invejes a ventura,
Que tens quem leve à mais remota idade
A tua formosura".

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

A CIDADE E AS SERRAS


Considerado um dos mais importantes  livros do escritor português Eça de Queiroz.

Último livro  de Eça de Queirós, foi publicado em 1901, um ano após a morte do autor.

A narrativa de A cidade e as Serras se passa no século XIX quando a cidade de  Paris era considerada o centro do mundo. Nos meios intelectuais da época havia um grande entusiasmo pelas teorias positivistas de Augusto Comte, criador do sistema que ordena as ciências experimentais consideradas modelo do conhecimento em vez das especulações teológicas e metafísicas(realidade que transcende a experiência sensível).

 Temática

Campo versus cidade é o centro do romance.

O gênero bucólico , cultivado por autores desde a Antiguidade, trata da oposição entre a vida tranquila e sábia do campo e a vida urbana, cheia de agitação.

O autor mostra a futilidade reinante em Paris e satiriza as idéias positivistas que deslumbravam os jovens intelectuais da  época.

 Personagens

Jacinto – entusiasta da vida urbana, das inovações tecnológicas e da ciência.

José Fernandes – narrador personagem, amigo de Jacinto desde os tempos de estudante, conta a história do amigo Jacinto.

Grilo – o mais antigo criado de Jacinto.

Joaninha – prima de José Fernandes, camponesa de Portugal.

 Enredo

Dom Galião, grande proprietário português, escorrega e é socorrido pelo infante Dom Miguel. Em 1831, Dom Pedro retorna do Brasil para assumir o trono português e destrona seu irmão Dom Miguel. Indignado Dom Galião muda-se para Paris com a mulher levando Grilo, futuro criado de Jacinto. Dom Galião teve um filho, Cintinho, que morreu antes do filho Jacinto nascer. Uma série de episódios ilustra a ridícula pretensão de superioridade dos parisienses. Então ocorre uma reviravolta... e Jacinto volta à terra natal de seus ancestrais.


Referência:


Guia do estudante/Literatura vestibular( 2009)

quinta-feira, 24 de março de 2016

Literatura de autoria Feminina Brasileira


MEADOS DO SÉCULO XIX E INÍCIO DO SÉCULO XX

FASE IMITATIVA

Reflete a realidade social e os papéis estabelecidos às mulheres através de uma imitação e da internalização dos valores e padrões vigentes pelo poder inscrito na concepção machista da sociedade da época.

 As obras representam:

1) mulheres submissas ao poder patriarcal de pais e maridos;

2) mulheres que encontram sua realização no casamento e na maternidade.

Ex.:  Úrsula (1859) de Maria Firmina;

        Dedicação de uma amiga (1850) de Nísia Floresta;

        A falência (1902) e A Intrusa (1908) – de  Júlia Lopes de Almeida;

        A Sucessora (1934) – de Carolina Nabuco.


 

FASE FEMINISTA OU REBELDE

Protesto contra os valores e padrões vigentes na sociedade e por uma luta pelos direitos das minorias.

Clarice Lispector; Lygia Fagundes Telles; Lya Lufty; Marina Colasanti; Nélida Piñon; Rachel de Queiroz; Ana Maria Machado; Adélia Prado.

AUTODESCOBERTA (a PARTIR DE 1990)

Busca de uma identidade própria, de uma escrita e de uma representação mais autêntica e livre.

Adélia Prado;

Nélida Piñon;

Lya Luft;

Patricia Melo;

Alice Ruiz.


ROMANTISMO

Maria Firmina dos Reis
(São Luís, 1825- Guimarães, 1917)

Primeira romancista brasileira. Escreveu o  primeiro romance abolicionista brasileiro. Era pobre, mulata, solteira e primeira professora primária concursada no Maranhão.
Escreveu o primeiro diário de mulher que se tem notícia.

 
AUTOBIOGRAFIA E MEMÓRIAS

Júlia Lopes Almeida (Rio de Janeiro, 1862-1934).
Escreveu obras em diversos gêneros: do teatro ao romance.

Correio da roça (1913) – romance epistolar.

SENTIMENTALISMO MÍSTICO

Cecília Meireles;

Henriqueta Lisboa – modernista e lírica;

Adélia Prado – misticismo católico.

EROTISMO

Gilca Machado (Rio de Janeiro, 1893-1980)
Sofreu preconceito da crítica por ter expressado na sua poesia a linguagem do sentimento e do corpo.

Cristais partidos (1917) – tema subjetivo e erótico.

Permaneceu ligada ao parnasianismo.

Carmem Dolores (Rio de Janeiro, 1852-1910)

Gradações (contos) – 1987;

Maria Benedita Bormann (Porto Alegre)

Escreveu Celeste (1893) sob o pseudônimo de Délia.

INDIANISMO

Maria Firmina dos Reis – escreveu o conto abolicionista “O Escravo” no Seminário Maranhense, 1870);

ENGAJAMENTO POLÍTICO

Maria Firmina dos Reis

Cantos (1872) – poemas patrióticos sobre soldados retornados da Guerra do Paraguai.

Patricia Galvão (Pagu) – Parque Industrial (1933), de feitio comunista.

Rachel de Queiroz   - relata os problemas e situação de pobreza dos emigrantes da seca do povo interiorano para a capital.
O Quinze;


REVOLUÇÃO DA LINGUAGEM POÉTICA

Clarice Lispector; Nélida Piñon; Lygia Fagundes Telles; Ana Cristina Cesar (Rio de Janeiro, 1952-1983).

CONTEMPORÂNEAS

Buscam encontrar na tragédia individual urbana, uma leitura do imaginário feminino – suas crises existenciais, sua insegurança social, psicológica e financeira, seus traços de diferença com relação ao patriarcalismo e a ordem estabelecida.

Lygia Fagundes Telles; Heloísa maranhão; Nélida Piñon, lya Luft, etc.

 “O que sinto, escrevo [...]

Inauguro linhagens, fundo reinos

- dor não é amargura.

[...]

Mulher é desdobrável. Eu sou.”

Adélia Prado

 

 

“E ela não passava de uma mulher... inconstante e borboleta”

Clarice Lispector

 

“Toda mulher leva um sorriso no rosto e mil segredos no coração”

Clarice Lispector


 

Aqueles que acreditam

Caminham para a frente

[...]

Aqueles que duvidam

Põem pedras e tropeços.

               Cora Coralina (Vintém de Cobre)

 

Faz de tua vida mesquinha

Um poema

E viverás[...]

Na memória das gerações que hão

De vir

Cora Coralina

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

HAICAI

Poema de origem japonesa que descende de uma linhagem antiga, o waka (poema á moda do país de wa(Japão), do século VII d. C.
 
Os primeiros wakas foram reunidos no Man Yôshu (antologia de dez mil folhas), a maior e mais antiga coletânia de poesia japonesa, iniciada no ano de 759. Foi elaborada entre os séculos VI e VII,  reune  vinte volumes e cerca de 4.500 poemas.
 
A forma poética era composto por 5- 7- 5- 7-7 fonemas (misohitomogi) ou poema de 31 sílabas.
 
Períodos
 Heian  (794-1185) - Tanka
O tanka passa a ser criado por duas pessoas: uma encarregada da primeira estrofe (hokku), outra pela seguinte (wakitu);
 
 Kamekura (1186-1339)
O pequeno poema torna-se entretenimento entre os cortesãos da aristocracia feudal.
 
Entre os anos 913 e 1439 imperadores japoneses encomendaram 21 antologias aos poetas do perído, cada uma com cerca de 20 volumes,  que ficou conhecida como coletânea de poemas waka.
 
Com o tempo passa a ligar-se a outras estrofes da mesma medida ficando conhecida como renga e depois renku.
 
INÍCIO DO SÉCULO XIII
Começo da forma conhecida como Haikai.

Século XV
Yamasaki Sokan (1465-1553) - é dele os primeiros escritos.
 
Século XVI e XVII
Surgem duas escolas de renga haikai:
Teimon-ha escola  de Matsunaga Teikofu (1571-1653), que busca sofisticar a linguagem e composição elaborada;
Danrimfú ou templo - enfatizava o coloquialismo e em alguns casos expressões vulgares e humor , repercutindo a temática das coisas imples e do cotidiano. 
 
Edo (1603-1867) - século XVII
O terceto (três versos) atinge o apogeu quando Matsuo Bashô (1644-1694) filho de samurai, renuncia à classe social para tornar-se monge andarilho. Ele eleva o haicai à condição de Kadô (caminho da poesia) introduzindo a visão do mundo Zen em sua criação. Herança do Confucionismo e do Budismo de estirpe Mahaya na - crença de todas as coisas da natureza.Ele  revelará a beleza existente nas coisas humildes, imperfeitas, transitórias e não convencionais. Sua escola fica conhecida por Shomôn ou "escola de Bashô".
 
Bashô teve mais de 3 mil discípulos.  Destaques: Busson (1716-1784), Kobayashi Issa (1763-1827) e Massoka Shiki (1867-1902);
Busson - conceitual e racional;
Issa - confessional e emotivo.
 
Ah, como é bonita!
Pela porta esburacada
surge a Via Láctea.
                    Issa
 
Nesta noite
ninguém pode deitar-se:
lua cheia.
                Bashô
 
De tantos instantes
Para mim lembrança
As flores de cerejeira
               Bashô
 
No atalho de montanha
Sorrindo
Uma violeta
                       Bashô
 
O grito do faisão-
Que saudade imensa
De meu pai e minha mãe
                           Bashô
 
 
Meiji (1867-1902) -  abertura do Japão para o Ocidente .
Massoka Shiki preserva a integridade da poesia japonesa e do haicai como forma original e local e cria o neologismo haiku para nomear o poema de dezessete sílabas e estabelece regras rígidas para sua composição.
Regras principais:
poema deve ser breve;
Dezessete fonemas ou sílabas;
Conter refer~encia à estação do ano;
Local da criação;
Rico em onomatopéias;
Afirmava que seu maior mestre continuava sendo a natureza.
 
Ao deixar o portão
do templo Zen,
uma noite estrelada.
                  Shiki
Solidão
Após a queima de fogos,
uma estrela cadente.
                  Shiki



HAICAI NO BRASIL

1906 - Monteiro Lobato estréia o haicai no Brasil ao publicar na Gazeta o artigo " A poesia Japonesa" em que traduz seis haikais.
O Haicai  influenciou a geração de escritores e poetas de 1922 que rompeu com a sintaxe e inaugurou o modernismo no país inspirados pela oralidade e  coloquialismo  das narrativas de Lobato.

1919 - Afrãnio Peixoto, historiador, poeta e crítico literário fixou a forma do haicai à brasileira: três versos com cinco, sete e cinco - totalizando dezessete sílabas métricas.

1920 -  modernistas rompem com a sintaxe e a métrica tradicional, inaugurando o verso livre, impondo a linguagem coloquial na poesia da mesma maneira que o movimento da escola Danrin no Japão do século XVII.

Era da Revolução Industrial
Os poetas descem do Monte Parnaso para vivenciar o bulicio das ruas.
O haicai reduz-se a um terceto breve e bem humorado cujo tema revela a vida urbana e burguesa.

1922 - Haicai é praticado e discutido por poetas da Semana de Arte  Moderna.
No  n. 2 da Revista Klaxon o poeta japonês Nico Horigoutchi comenta as transformações promovidas na poesia japonesa a partir de 1895 (produzidas por Shiki) no artigo "A poesia japonesa contemporânea".

No discurso sobre tendências modernistas   na revista Estética "A Escrava que não é Isaura",  Mário de Andrade reconhece a influência de gêneros orientais.

Luís Aranha é o primeiro brasileiro que  concebe os primeiros haicais inspirado em poema de Yamazaki Sokán (1465-1532), embora não tenha sido reconhecido na época. Seu livro Cocktails será publicado somente em 1986.

Pardas gotas de mel
voando em torno de uma rosa
Abelhas
              Luís Aranha (17/05/1901-29/06/1987)

Oswald de Andrade
Adotou o haicai em Pau Brasil. Voltou ao terceto em Primeiro caderno de poesia do aluno Oswald de Andrade. Mal interpretado seus haicais recebe o epíteto de "poema-piada".

1933 - Newpuku Sato (1898-1979) comenta e difunde o haiku poroduzido no idioma japonês no Brasil.


Drummond de Andrade
Publica na revista de variedades Para Todos seus primeiros haicais.

Manuel Bandeira
Produziu um único haicai no livro Lira dos cinquent'anos. Traduziu poemas de Bashô e do espanhol Ramón Jiménez.  Atentou para o assunto no tratado "Versificação em lingua portuguesa" para a Enciclopédia Delta Larouse.

Na metade dos anos 30 Guilherme de Almeida torna público o intercãmbio cultural .
Usou três versos de dezessete sílabas métricas: 5-7-5. Rimas ligando o primeiro e o terceiro verso e ua rima interna no segundo verso. Tornou esse tipo conhecido em artigos no Estado de São Paulo e no livro Poesia Vária (1947)  e depois em Anjo de sal. Vários poetas passaram a usar o haicai de Guilherme de Almeida. Também foi ele quem atribuiu a Magma, livro de estréia de Guimarães Rosa a premiação máxima.

Siqueira Júnior dedicou seu primeiro livro ao poemeto  no país m 1933.
Foi o primeiro a trocar informações com os imigrantes sobre haiku.

Guimarães Rosa destacou em Magma nove tercetos enfeixados sob o título de haicais ignorando as regras de composição. Não voltou a publicar o gênero.

1948 - Mário Quintana expõe em tres versos a posição do negro e classes subalternas no país. É considerado um dos melhores haicaistas brasileiro.

1956 - Millor Fernandes - desconstrói o haicai na revista O Cruzeiro ao radicalizaro humor dos primeiros modernistas. Popularizou o haicai.

1950 -1960
Grupo de jovens poetas paulistas passam a discutir o haicai: Haroldo de Campos, Augusto de Campos e Décio Pignatari na  reivista Invenção abrindo espaço para os haicais experimentais de José Paulo Paes, Pedro Xisto e Paulo Leminski que atualiza o haicai por meio de poemos líricos.

1982 - Encontro Brasileiro de Haicai.

2008 - Vigésima edição do evento.

2013 - Grêmio Haicai Ipê inspirado por Masuda Goga para discutir e traduzir autores e poemas clássicos. Influenciaram o surgimento de agremiações no país.
http://www.kakinet.com/caqui/ipe.shtml

http://www.kakinet.com/concurso/


Século XXI
Os haikaistas brasileiros pouco se dedicam a ética e estética do Zen- budismo. Exceção: Alice Ruiz, Helena Kolody, Olga Savary, Paulo Leminski e Pedro Xisto.

Perseguem a brevidade,  a simplicidade e o humor.
Hoje o haicai é consolidado na literatura brasileira como uma das formas poéticas mais populares  no país.

Alguns haicaistas  brasileiros

Canção matinal
campinas. Vacas turinas
cheiro de curral
                   Abel Pereira (baiano de Ilhéus)


Um grão bem miúdo...
um nada à margem da estrada...
um nada que é tudo.
                   Afrânio Peixoto



Sem saudade de você
sem saudade de mim
o passado passou enfim.
                          Alice Ruiz

Por uma só fresta
entra toda a vida
que o sol enfresta.
              Alice Ruiz

Lembra aquele beijo
corpo, alma e mente?
Pois eu esqueci completamente.
                    Alice Ruiz



ULTRAREALISMO

A vida
limita
a arte
           Carlos Vogt


Libélulas? Qual!
Flores de cerejeira
Ao vento de abril
                Erico Verissimo



OS TRISTES

Em seus caramujos,
os tristes sonham silêncios
que ausência os habita?
                           Helena Kolody


LAR

Espaço que separa
o wolkswagen
da televisão.
              José Paulo Paes

Exilado na multidão
sou silêncio e segredo, e venho
quando os outros vão.
                    Ledo Ivo


Na poça da rua
o vira-lata
lambe a lua
           Millor  Fernandes


Ao luar
como reconhecer a flor da cerejeira?
Deixando-nos guiar pelo seu perfume
                                         Monteiro Lobato


ROTA

Que arda em nós
Tudo quanto arde
o que nos tarde a tarde.
                     Olga Savary

Que distância
não choro
porque meus olhos ficam feios.
                                Oswald de Andrade



Jardim de minha amiga
todo mundo feliz
até a formiga.
              Paulo Leminsky

Sol ( venho cantá-lo)
se entremostre à pedra branca
sob o velho carvalho
                        Pedro Xisto


ESCOMBROS
Casa demolida.
Foi bela. Pensar que nela
houve tanta vida...
                  Waldomiro  Siqueira Júnior


TURISMO SENTIMENTAL
Viajei toda a ásia
ao alisar o dorso
da minha gata angorá...
                     Guimarães Rosa


Fonte:
O livro dos Hai-kais. Trad. Olga Svaary. 2. ed. Aliança cultural Brasil-Japão
Boa companhia - Haicai. Org. seleção e introdução Rodolfo Witzig Gutilla. São paulo: Cia das
Letras, 2009.
ROSA, Guimarães. Magma.

Para saber mais sobre o haicai assista esta reportagem
https://www.youtube.com/watch?v=5-24eF56FFM
              

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Paulo Bomfim

Paulo Bomfim
Poeta brasileiro, membro da Academia Paulista de Letras e Príncipe dos Poetas Brasileiros.
Seu primeiro livro de poemas, Antônio Triste, lançado em 1946, com ilustrações de Tarsila do Amaral, recebeu o Prêmio Olavo Bilac, concedido pela Academia Brasileira de Letras, em 1947.
Foi presidente do Conselho Estadual de Cultura de São Paulo.

Obras literárias

  • Antônio Triste, 1946
  • Transfiguração, 1951
  • Relógio de Sol, 1952
  • Cantiga de Desencontro,
  • Poema do Silêncio,
  • Sinfonia Branca, 1954
  • Armorial, 1956
  • Quinze Anos de Poesia e Poema da Descoberta, 1958
  • Sonetos e O Colecionador de Minutos, 1959
  • Ramo de Rumos, 1961;
  • Antologia Poética, 1962;
  • Sonetos da Vida e da Morte, 1963.
  • Tempo Reverso, 1964;
  • Canções, 1966;
  • Calendário, 1968;
  • Poemas Escolhidos, 1974;
  • Praia de Sonetos, 1981;
  • Sonetos do Caminho, 1983;
  • Súdito da Noite, 1992.
  • Aquele menino (2000).
  • O Caminhoneiro (2000).
  • Tecido de lembranças (2004).
  • Janeiros de meu São Paulo (2006)
  • O Colecionador de minutos (2006).

Fonte: MENEZES, Raimundo de. Dicionário literário brasileiro. 2ª ed. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1978.

Wikipedia



segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Literatura Marginal


LITERATURA MARGINAL PERIFÉRICA


Movimento literário nas periferias do país.

Ressurgimento do discurso identificado com a periferia social, política e econômica.

Filmes tematizam o marginal: cidade de Deus, Madame Satã, O Invasor.

Música feita por e para  excluídos (rap, fenômeno racionais MC’s)

 Produção literária de detentos, pedreiros, , dona de casa: Diário de um detento; Carandiru; 

 Globo:  Série Cidade dos Homens.

 Características

Experiência vivida transposta nas narrativas. Registro vocabular.

Gírias e neologismos (cuja origem está na fala).

(marcas escritas da experiência).

Referência ao dialeto periférico.

2) Entre as finalidades

Mostrar um caminho.

Servir de exemplo e sugestão para os “manos” e “minas”

(posição solidária aos interesses do povo).


A literatura

O valor estético atribuído à literatura pela cultura letrada não serve para esse caso.

 Experiência de vida.

Memória ressentida( mágoa, sentir outra vez)  nos dois sentidos da produção da produção.

 Fator que mais sustenta os poemas: contos, romances e letras de música.

Lembranças individuais, coletivas, do trabalho, nostalgias da prisão e da liberdade, memórias do bairro, da infância, da violência.

 A rememoração ressentida sustenta a reindicação e serve como prova dos fatos.

 É uma referência histórica que não pode ser apagada.

 Seus heróis: mortos em chacinas, nos levantes populares, nas enchentes.

 O que querem dizer é simples: a histórica sacanagem não foi esquecida, vem à tona com força, mostrando que talvez não sejamos tão desmemoriados assim. Ninguém esquece um tapa na cara, seja ele dado por outra pessoa ou pela sociedade.

Ousadia do pobre – criar, pensar, sonhar.  Problemática sob o prisma da crítica estabelecida.

 Por outro lado

A exaltação dessa produção revela o peso na consciência da classe média.

 Periférica, urbana, traz em si elementos que referem-se à cidade e à sociedade como um todo transcendendo à localidade à qual se inserem.

Pois
Ao representarem à periferia, favela ou presídio a partir do que lhes oprimem ou querem tornar visível acabam dialogando ou atacando os elementos externos a eles.

 O que pensam, como pensam, o que representam um modo de ser e sentir do sujeito periférico atual.

 As narrativas expressam os caminhos encontrados ou rebuscados para o enfrentamento da miséria social e do descaso público.

Fonte:
(Rev Caros Amigos  Ano VIII N. 91 outubro 2004)

A poesia era tratada como uma dama pelos intelectuais, hoje vive se esfregando pelos cantos dos subúrbios.
          Sérgio Vaz (poeta e fundador da Cooperifa)

 O poema que desfilava pela academia, de terno e gravata, proferindo palavras de alto calão para platéias desanimadas, hoje, anda sem camisa, feito moleque pelos terreiros.

 Dizem por aí que alguns sábios não estão gostando nada de ver a palavra bonita beijando gente feia.

 Não é o Alice no país da marvilha, mas também não é o inferno de Dante. É só o milagre da poesia. (Sergio Vaz)

 Uma literatura[...] cuja escrita é usada como arma que veio para atacar.
BENEVUTO, Silvana José.
Literatura Marginal e sua representação na sociedade.

 Construir a história do negro, do pobre e do marginal

 Incita nos sujeitos periféricos a auto-valorização de sua própria cultura

 É a voz do narrador social[...] que ressoa a realidade histórica e social [...] trazendo consigo o pensamento social predominante naquele contexto e situação social que lhe são específicos.

 Literatura e sociedade são indissociáveis, uma vez que toda arte traz consigo elementos que são de seu tempo histórico e social.

 Apreende o pensamento de sociedade que possuem nossos narradores sociais

 A possibilidade de absorver o pensamento social destes narradores poderá contribuir para a compreensão da perspectiva social e política do sujeito periférico de hoje.

 A obra de arte [...] traz  a realidade social na qual se insere (Walter Benjamim)

 A realidade histórica aprece refletida na forma e no conteúdo dos textos (cic)

O termo marginal é representado por um grupo que quer se diferenciar pela luta por cultura na periferia [...] que demonstra um intuito social de reclamar  pela situação de descaso político e pela marginalização sócio-cultural a que são submetidos e se fazerem visíveis. (Ferrez)

 Estamos [...] na favela, no bar, mas antes  somos literatura, e isso vocês podem negar, podem fechar os olhos, virar as costas ,  mas, como já disse, continuaremos aqui, assim como o muro social invisível que divide esse pais .

 Fontes:
FERREZ (Org.). Literatura Marginal: talentos da escrita periférica. Rio de Janeiro: Agir, 2005

 Sergio Vaz (organizador  do sarau da Cooperifa)


Mario Quintana


Mário de Miranda Quintana
(Alegrete, 30 de julho de 1906 — Porto Alegre, 5 de maio de 1994)
 Foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro.
Considerado o poeta das coisas simples.
Estilo marcado pela  ironia,   profundidadeperfeição técnica;
Traduziu mais de cento e trinta obras da literatura universal, entre elas Em busca do tempo perdido de Marcel Proust, Mrs Dalloway  de Virginia Woolf e Palavras e Sangue, de Giovanni Papini.
Em 1980  recebeu o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra.
Em 1983, atendendo a pedidos dos fãs gaúchos do poeta, o governo estadual do Rio Grande do Sul adquiriu o prédio do Hotel Majestic  e o transformou em centro cultural, batizado  como Casa de Cultura Mario Quintana.
 

Obra poética
A Rua dos Cataventos. Globo, 1940.
Canções - Porto Alegre, Editora do Globo, 1946.
Sapato Florido.  Porto Alegre, Editora do Globo, 1948.
O Aprendiz de Feiticeiro - Porto Alegre, Editora Fronteira, 1950.
Espelho Mágico - Porto Alegre, Editora do Globo, 1951
Inéditos e Esparsos - Alegrete, Cadernos do Extremo Sul, 1953.
Poesias - Porto Alegre, Editora do Globo, 1962.
Caderno H -  Porto Alegre, Editora do Globo, 1973.
Apontamentos de História Sobrenatural - Porto Alegre, Editora do Globo / Instituto Estadual do Livro, 1976.
Quintanares- Porto Alegre, Editora do Globo, 1976.
A Vaca e o Hipogrifo - Porto Alegre, Garatuja, 1977 - Porto Alegre, L&PM, 1980.
Baú de Espantos - Porto Alegre - Editora do Globo, 1986
Preparativos de Viagem - Rio de Janeiro - Editora Globo, 1987.
Da Preguiça como Método de Trabalho - Rio de Janeiro, Editora Globo, 1987.
Porta Giratória - São Paulo, Editora Globo, 1988.
A Cor do Invisível - São Paulo, Editora Globo, 1989.
Velório Sem Defunto - Porto Alegre, Mercado Aberto, 1990.
Água - Porto Alegre, Artes e Ofícios, 2011
Passarinho - São Paulo, Para gostar de ler 41 , Editora Ática, 2006.
Livros infantis
O Batalhão das Letras - Porto Alegre, Editora do Globo, 1948.
Pé de Pilão - Petrópolis, Editora Vozes, 1968
Lili inventa o Mundo - Porto Alegre, Mercado Aberto, 1983.
Nariz de vidro - São Paulo, Editora Moderna, 1984.
 
 Fonte: wikipedia
 Todos eles que aí estao
 atravancando o meu caminho,
 Eles passarao...
 Eu passarinho!
                           Mário Quintana
 
A amizade é um amor que nunca morre.
                                                    Mário Quintana
 
Ás vezes a gente pensa que está dizendo bobagens e está fazendo poesia.
                                                                        Mário Quintana