quarta-feira, 13 de maio de 2015

O NEGRO NA LITERATURA BRASILEIRA

O Negro na literatura Brasileira

Século XVII – versos satíricos de Gregório de Matos.

Literatura sobre o negro (Negro como objeto);
Negro ou descendente é personagem com aspectos ligados à vivência do negro na realidade histórico-cultural do Brasil (assunto ou tema);
Presença mais  significativa no século XIX;
Visão estereotipada até a atualidade.

Estereótipos
1)Escravo nobre vence por força do branqueamento embora à custa de sacrifício e
humilhação.
Ex.: A escrava Isaura (1872) de Bernardo Guimarães e Raimundo de O mulato (1881). Mulato de olhos azuis de Aloísio de Azevedo. Denúncia do preconceito; desconhece que a mãe era escrava.
2) Negro como vitima;
3) Exaltação da liberdade e causa abolicionista;

Perspectiva idealizante do Romantismo
Castro Alves -  Navio Negreiro (destaca a desumanidade que marcava o tráfico de escravos já abolido. Apela aos heróis do novo mundo Andrada e Colombo.
Ênfase na vingança (A criança e Bandido Negro).
Luta individualizada, nunca no problema central (luta pela liberdade) quando Palmares e outros colombos já existiam.
Não foge a tônica do seu tempo mas não consegue livrar-se das marcas da cultura escravista.
Indignação sobre o sofrimento do negro.
Necessidade da nação livrar-se da escravidão.
Negro coisificado
Campanha sobre a condição humana.
Liberdade – ideal da ideologia dominante.
Não dá voz ao negro.
Comporta-se como um advogado de defesa.

Fagundes Varela – Mauro, o escravo.Valoriza o negro, mas não consegue afastar da tendência ao branqueamento.
Negro infantilizado, serviçal e subalterno:
O demônio familiar (Jose de  Alencar)
 O cego (Joaquim Manoel de Macedo)

Permanece o estereótipo associado a animalização na figura de Bertoleza do romance
 O cortiço (1900) de Aloisio de Azevedo.
Negro como personagem secundário
O calhambola – de Trajano Galvão de Carvalho. Centra num escravo orgulhoso, mas resignado.
As vitimas algozes (1873-(1896) – Joaquim Manoel de Macedo. Escravo demônio tornado fera por força da escravidão.
Mota coqueiro(1877) – José do Patrocinio.
O rei negro – Coelho Neto.
A familia Medeiros (Julia Lopes de Almeida.

De fera a pervertido
O bom crioulo(1885) –  de Adolfo Caminha.
História de homossexualismo, corajosíssima para época.
A carne(Júlio Ribeiro) segundo o narrador a liberação dos instintos de Lenita se deve a promiscuidade com os escravos.
Considera a raça negra  inferior:
O presidente negro – Monteiro Lobato.

Instinto Lírico
Juca Mulato (1917) – Menotti Del Picchia.
Atitude vanguardista.
Demonstração de que os mulatos também sentem.
Negro ou mestiço erotizado ou objeto sexual presente desde Rita Baiana (O cortiço) e mulato Firmo.
Nega Fulô ( Jorge de Lima).
Poemas da negra (Mário de Andrade)  se suaviza.
Especial destaque nas mulatas de Jorge Amado.
Contribui para visão valorizadora da presença do negro na cultura brasileira embora não consiga escapar das armadilhas do estereótipo.
Jubiabá(1955) – ingênuo e simples Jubiabá.
Infantilizada e instintiva Gabriela (Gabriela Cravo e Canela).

Literatura espelho (realismo).
Negro exilado na cultura brasileira.
Urucungo (1933)  Raul Bopp.

Até os anos 60 prevalecia da visão estereotipada
Paralelo: textos compromissados com a real dimensão da etnia.
Corpo vivo – Adonias Filho- negro fiel Setembro, símbolo da antiviolência, responsável pela educação cristã do herói Cajango antes da preparação deste para a vingança.
O Forte (1965) – negro Olegário. Ele é a memória. Drama humano do Forte em torno de Salvador e o fundo histórico de salvador em torno de ambos.

Visão integradora
Luanda Beira Behid (1971) – trágica história de amor passada nesses três espaços geográficos. Destaque: estereótipo da morena sensual na personagem Luta.

Literatura denúncia
Contos de Edilberto Coutinho.
Trazem negro injustiçado e ressentido.
O fim de  uma agonia.
O rei nu – mitificação e desmitificação do negro Pelé
"Tem explicação doutor"? Consciência desesperada do negro jogador de futebol e joguete na mão dos empresários.
Navio negreiro  - novo passageiro
Mulher na jogada contraste entre a negra favelada que ganha fama e paga caro por isso e a branca privilegiada e nobre.
Um negro vai à forra ( não evita o estereótipo. Personagem negro Bira, marginal, violento, passional agressivo.
Teatro Auto da compadecida  - estranhamento de João do grilo diante da caracterização do Cristo negro.
O Orfeu negro Vinicius atualiza e carioquiza a tragédia grega ao transpô-la para a realidade urbana do Rio de Janeiro e a etniza simpaticamente, destacando a relação entre o negro e a musica brasileira.

Autores contemporâneos
Aspectos da realidade sociocultural. Década de 1980 obras preocupadas no resgate da figura do negro:
Os tambores de São Luis (1985) – Josué Montello pretende valorizar a grande saga do negro brasileiro. Exemplo de consciência negra(personagem negro dividido entre o mundo branco circunstancial e o mundo de sua ancestralidade e etnia.

Tentativa de atitude revalidadora da historia do negro
Viva o povo brasileiro (1984) – João Ubaldo Ribeiro
Busca através da arte literária a caracterização da gente do Brasil na formação do país.
Destaca a luta permanente pela liberdade.

Discurso do negro em ambiente brasileiro
José Lins do Rego - seus livros contam histórias de usinas onde o braço negro tem atuação relevante.

Distanciamento
Escritores negros e mestiços; matéria negra é eventualmente tratada.
Domingos Calda Barbosa (1740) filho de pai português e mãe africana -  De Viola de lereno.
Gonçalves Dias expressão da poesia do romantismo. Filho de pai português e mãe cafuza. A escrava(1846) A meditação (1849).

Denunciamento da situação de opressão; referências sutis.
 O horto (1900) . Areta de Souza (1876-1901) formada em colégio de religiosas francesas
Mario de Andrade (mulato) 1893-1945. Obra com passagens reveladoras de uma posição dividida. Meditação do Tietê referencia a vinculação com a etnia. Poesias completas. Poemas da negra – exalta a beleza da raça à luz da relação amorosa valorizadora. O herói Macunaíma nasce preto e vira branco.
Jorge  de Lima Serra da barriga (poema) – contribuição africana às comidas da Bahia da beleza da mulher negra mesmo na condição de escrava mas associada  a imagem destruidora de lar e ladra por força da sua sensualidade.

Praticas religiosas
Benedito calunga obambá e Batizado visão simpática mas distanciada e não comprometida com a bandeira da libertação. Negro como individuo.

Machado de Assis
Uns defendem que o fato de um mulato ter se tornado o maior dos escritores brasileiros é signifiativo para a causa da etnia, embora na sua obra não haja nenhuma assunção ideológica nesse sentido.
Outros criticam a ausência em seus textos da problemática do negro positiva e vergastam o seu branqueamento numa atitude racista.
Outros:  crítica mordaz da sociedade brasileira de seu tempo revela um modo de participação que o vincularia a uma certa literatura denúncia.
Literatura indiferente a problemática dos negros e descendentes.
Contos de Machado que envolvem escravos:
O caso da vara  - pai contra mãe, não centralizam na questão étnica mas no problema do egoísmo humano e da tibieza de caráter.
Negros e mestiços participam como figurantes em historias que refletem a realidade social retratada:
Crônica (texto  de 19/05/1888)
Na poesia visão negativa associa-se às qualidades do ideal e ao negro os mesmos aspectos dolorosos que vincula à Africa de origem.

Cruz e Sousa (poeta do simbolismo, negro, filho de escravos alforriados e educação ganha dos senhores dos seus pais, sofreu a violência do preconceito de assumir o cargo de Promotor Público em Laguna, deixa entrever nas obras marcas do conflito.


 Luta contra a opressão racial (jornalzinho O moleque) - deixa nove poemas e dois textos em prosa comprometidos com a causa abolicionista.
 Na literatura posição dividida e conflitada O emparedado em evocações. Alfredo em Emparedado lança o seu protesto contra os argumentos da ideologia dominante no discurso antropológico. Fenômeno notável de resistência cultural pelo qual o drama de uma existência sobe ao nível da consciência inconformada e se faz discurso.

No ambiente do distanciamento predomina o estereótipo
O personagem negro ou mestiço - ganha presença ora como elemento perturbador do equilíbrio familiar ou social ora como negro heróico, ora como negro humanizado amante, força de trabalho produtivo, vitima sofrida de sua ascendência elemento integrador da gente brasileira.Zumbi e a saga quilombola não habita destaques nesse espaço.

Literatura do Negro
Os protagonistas de romances e poemas são mulatos, a fim de que o autor possa dar-lhes traços brancos e, deste modo, encaixá-los nos padrões da sensibilidade branca.
Poetização da figura do negro - configurada nas manifestações literárias do século XIX
Segundo A Candido conseguiu impor a dignidade humana no negro.
Passou a ser uma via de saida confortável para o preconceitro presente na realidade brasileira na medida em que acabou escoando na aceitação do negro e do mestiço do negro reconhecendo como tal enquanto emocionalmente e socialmente bem comportados, que, como Isaura, sabem reconhecer o lugar que socialmente lhes foi imposto.
Tal imagem vem se diluindo na luta pelo afirmamento cultural e devida integração do negro à sociedade brasileira para além dos estereótipos e das distorções.

Negro como sujeito - atitude compromissada.
Literatura do negro
Luis da Gama (1850-1882) filho de africana com fidalgo branco.
Primeiro a falar em versos do amor por uma negra. Destacado por estrofes . ("Bodarrada"   e "Quem sou eu".
Lima Barreto (1881-1922) - obra vinculada à realidade social urbana e suburbana do Rio de Janeiro.
Destaque: Clara dos Anjos (1922). História de uma mulata filha de um carreteiro, iludida, traída, sofrida por causa de sua cor. Texto denuncia do preconceito. A fala final, impotente diante da angustia impacta pelo tom desesperançado: "nós não somos nada nesta vida".
Recordações do Isaías Caminha - a declaração também se revela com realismo carregado de vivencia pessoal.

(1930-1940)  - Posicionamento Engajado
(1960) - Grupos de escritores assumidos como negros ou descendentes - Continua nos  anos de 1970  e  no curso de 1980.
(1990) -  Afirmação cultural da condição negra na realidade brasileira -  continua na atualidade embora com menos repercussão publica.

Inicio do século XXI
Posição literária relacionada com os movimentos de conscientização dos negros que marcam preocupação com a causa do negro brasileiro.


Machado de Assis
Uns defendem:
1)O  fato de   um mulato ter se tornado o maior dos escritores brasileiros é significativo para a causa da etnia, embora alguns achem que sua obra não demonstre nenhum aspecto nesse sentido;
2) Outros criticam  a ausência em seus textos  da problemática do negro positiva;
3) A crítica da sociedade brasileira de seu tempo revela um  modo de participação que o vincularia à literatura de denúncia;
4) Literatura indiferente a problemática dos negros e descendentes.

Contos de Machado de Assis que envolvem escravos:
"O caso da vara" - pai contra mãe, não centralizam na questão étnica mas no problema do egoísmo humano e no caráter;
negros e mestiços participam como figurantes em histórias que refletem a realidade social retratada:
"Crônica" (texto de 19/05/1888)

Poesia
Visão negativa associa às qualidades do ideal e ao negro os mesmos aspectos dolorosos que vincula à África de origem;
Luta contra a opressão racial (Jornalzinho O Moleque)- nove poemas e dois textos em prosa  comprometidos com a causa abolicionista.

Periódicos especializados

Menelink (1915-1935)
O clarim da alvorada (1924-1937)
1931
 Frente Negra Brasileira
Interregno da ditadura de Getulio
1945
Mundo Novo
Novo Horizonte
Alvorada
Associação de negros brasileiros
1944
Teatro experimental do negro
Destaque : Abdias do Nascimento
1968
Museu de Arte Negra
1978
 Fundação do movimento Unificado contra a discriminação racial (MNUCAK)
Movimento Negro Unificado (MNU)
Centro de cultura e Arte negra (SP)
Oficial
1980 - Fundação palmares
Escritores negros e descendentes - comprometimento com a etnia
Precursor
Lino Guedes (1897-1951) - O canto do cisne preto (1926)
Urucungo (1936) e Negro   preto cor da noite (1936)
Poesia irônica com dose de autocomplacência e apelos de afirmação racial bem comportada.


Fonte: PROENÇA FILHO, Domício. In: "A trajetória do negro na literatura brasileira".





segunda-feira, 11 de maio de 2015

RUBEM FONSECA

Rubem Fonseca

(Juiz de Fora, 11 de maio de 1925).

Escritor e roteirista de cinema.

Formado em Direito, ex delegado.

Prémio Camões (2003).

As obras de Rubem Fonseca retratam, em estilo seco e direto, a luxúria e a violência urbana, em um mundo onde marginais, assassinos, prostitutas, miseráveis e delegados se misturam .

Romances

O caso Morel (1973)

A grande arte (1983)

Bufo & Spallanzani (1986)

Vastas emoções e pensamentos imperfeitos (1988)

Agosto (1990) - retrata as conspirações que resultaram no suicídio de Getulio Vargas.

O Selvagem da ópera (1994) – retrata a vida de Carlos Gomes

O Doente Molière (2000)

Diário de um fescenino (2003)

Mandrake, a bíblia e a bengala (2005)

O Seminarista (2009)

José (2011)



Contos

Os Prisioneiros (1963)

A Coleira do cão (1965);

Lúcia McCartney (1967);

Feliz Ano Novo (1975) - proibido pela censura em 1976 e liberado em 1989 após batalha judicial;

O Cobrador (1979);

Romance negro e outras histórias (1992);

O Buraco na parede (1995);

Histórias de amor (1997);

A Confraria dos espadas (1998);

Secreções, excreções e desatinos (2001);

Pequenas criaturas (2002);

64 Contos de Rubem Fonseca (2004);

Ela e outras mulheres (2006);

Axilas e Outras Histórias Indecorosas (2011).



Outros

O Homem de fevereiro ou março (antologia, 1973);

E do meio do mundo prostituto só amores guardei ao meu charuto (novela, 1997).

O romance morreu (crônicas, 2007);

64 Contos de Rubem Fonseca (Antologia de contos, 2004).



sexta-feira, 1 de maio de 2015

LITERATURA AFRO-BRASILEIRA

Expressa uma visão de mundo específica dos afro-brasileiros.

Revalorização da herança cultural africana através da escrita literária.

Enquanto movimento de afirmação da identidade negra  a literatura infantojuvenil não segue uma trajetória.
Há produções individuais e poucos escritores voltados para a tessitura de protagonistas negros.

Até os anos 80
Ideais racistas e inferiorizantes. Os protagonistas das histórias exercem papéis de passividade.

Joel Rufino dos Santos
Heloísa Pires Lima
Geny Guimarães
Júlio Emílio Braz – Lenda da África
Inaldete Pinheiro Andrade
Aroldo Machado
Petrovich & Machado
Rogério Andrade Barbosa
Mia Couto – Terra sonâmbula

Obras recentes (Anos 90 até época atual)
Escritores cujas produções há personagens e protagonistas negros e prevalece o espaço sendo africano e americano. São inovadores em face dos personagens os quais rompem com ideários racistas e inferiorizantes.

Autores que publicaram narrativas com personagens protagonistas negros.

Ana Maria Machado -  Menina bonita do laço de fita;
Ziraldo – O menino marron
Lúcia Pimentel Góes
Jonas Ribeiro
Mirna Pinsky
Ganymédes José
Luís Galdino
Giselda Laporta Nicoelis
Carla Caruso
Georgina Martins
Tatiana Belinky

Obras que implementam a lei federal 10.639/03

Tanto, tanto – Espaço EUA (Cotidiano familiar)
Histórias da preta – identidade negra, auto estima, cosmovisão afriacana.
A cor da ternura –  identidade negra, relação familiar, auto estima (espaço Brasil zona rural
Fica comigo – relação familiar entre mãe e filho. Espaço indefinido.
As tranças de Bintou – identidade negra / auto estima/ relação familiar/ espaço África.


Todos esses livros exercem várias faces dos protagonitas negros e  vivenciam crises existenciais .

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Centenário de Jose J Veiga

José Veiga ( conhecido como José J. Veiga)

Escritor brasileiro, considerado um dos maiores autores em língua portuguesa do realismo fantástico.

Estreou na literatura aos 44 anos de idade, com o livro de contos Os cavalinhos de Platiplanto (ganhador do prêmio  Fábio Prata em 1959).
Teve seus livros publicados nos Estados Unidos, Inglaterra, México, Espanha, Dinamarca, Suécia, Noruega e Portugal.
Ganhou, pelo conjunto de sua obra, a versão 1997 do Prêmio Machado de Assis, outorgado pela Academia Brasileira de Letras.
Hoje, a rodovia GO-225, que liga sua cidade natal à capital goiana, tem seu nome.
A  sua obra A Hora dos Ruminantes foi incluída, por um júri escolhido pelo jornal mais influente de Goiás, O Popular, na lista dos 20 livros mais importantes de Goiás no século XX, tornando-se assim obra canônica.

Obras de José J Veiga
Os Cavalinhos de Platiplanto (1959);
A Hora dos Ruminantes (1966);
A Estranha Máquina Extraviada (1967);
Sombras de Reis Barbudos (1972);
Os Pecados da Tribo (1976);
O Professor Burim e as Quatro Calamidades (1978);
De Jogos e Festas (1980);
Aquele Mundo de Vasabarros (1982);
Torvelinho Dia e Noite (1985);
A Casca da Serpente (1989);
Os melhores contos de J. J. Veiga (1989);
O Almanach de Piumhy - Restaurado por José J. Veiga (1989);
O Risonho Cavalo do Príncipe (1993);
O Relógio Belizário (1995);
Tajá e Sua Gente (1997);
Objetos Turbulentos (1997);.
Considerado um dos maiores autores em língua portuguesa do realismo fantástico, Gênero literário que teve auge no Brasil  na década de 1970, por influência dos escritores latino-americanos: o colombiano Gabriel Garcia Márquez (1928) e o argentino (nascido acidentalmente na Bélgica) Julio Cortázar (1914-1984).


REALISMO FANTÁSTICO

Gênero literário em que  narrativas ficcionais estão centradas em elementos não existentes ou não reconhecidos na realidade, pela ciência dos tempos em que a obra foi escrita. O Fantástico se divide em três subgêneros: ficção científica, fantasia e o horror (ou Terror).

Fonte:
Wikipédia

LITERATURA DE SÃO PAULO


 LITERATURA DE SÃO PAULO

Século XVI
Chegada dos missionários da Cia de Jesus conhecidos como jesuitas.
 Escreviam relatórios à coroa portuguesa sobre as terras recém encontradas e sobre os povos nativos compondo poesias e músicas para o catecismo.

Padres jesuítas considerados fundadores da capital paulista
Manuel da Nóbrega
José de Anchieta

Romantismo
Século XIX  (Pequena Província )
Congrega grupo de escritores estudantes da faculdade de Direito que começam a retratar a cidade:

Álvares de Azevedo (1831-1852) fase ultra romântica
Castro Alves  (1847-187);
José de Alencar (1829-1877)

Góticos
Grupo de artistas seguem as idéias do escritor Lord Byron (1788-1824) e criam o grupo dos Byronianos que se reúnem em cemitérios para discutir literatura e exaltar a morte.
Bernardo Guimarães (1825-1884);
Francisco Otaviano (1825-1889);

Escritores antiabolicionistas (pós-romântico)
Luiz Gama (1831-1882) – fundador do primeiro jornal humorístico de São Paulo Diabo coxo;
Raul Pompéia (1863-1895)

Século XX
São Paulo começa a se formar como metrópole com o poder econômico do café e a crescente industrialização. A cidade se torna o centro de uma manifestação literária: Modernismo. Semana de 22 no Teatro Municipal. A partir daí a cidade passa a ter nova representação na cena cultural do país.
Figuras de destaque: Mário de Andrade (1893-1945) e Oswald de Andrade (1890-1954)


Início do Século XX
Projeção nacional com o Movimento Modernista Brasileiro – Semana de Arte Moderna em 1922.
Mário de Andrade – Paulicéia desvairada (poema urbano) estabelece o movimento moderno no Brasil.
                                    Macunaíma – aborda o folclore brasileiro. Ápice da prosa nacionalista através da criação de um anti-herói nacional.
                                    Meditação sobre o Rio Tietê.

Poesia experimental de Oswald de Andrade
Prosa de vanguarda – Serafim Ponte Grande (1933) – romance;

Concretismo
Movimento de vanguarda do pós-guerra no Brasil que se  espalha a partir de São Paulo com o grupo da Revista Nolgandres, criada pelos irmãos Haroldo (1931-2003), Augusto de Campos (1931-) e Décio Pignatari. Seu objetivo:acabar com a distinção entre forma e conteúdo e criar uma nova linguagem.
1960 – Cenário de diversas obras
Romances policiais: Rubem Fonseca e Marcos Rey;
Roberto Piva - poemas descrevem as ruas soturnas do centro, com personagens excluídas da sociedade – usuários de drogas, homossexuais, criminosos e boêmios.
Tony Belloto;
Bernardo Carvalho;
  
1970
Literatura realista urbana impulsionada pelo momento político, pela segregação social, pela violência.
João Antonio (1937-1996);
Ivan Ângelo (1936-2014)
Inácio de Loyola Brandão (1936);

Anos 1990 (Realismo urbano e suburbano)
Fernando Bonassi (1962)  - 100  histórias colhidas na Rua
Marçal Aquino (1958);
Trazem para a cena literária as tensões sociais da metrópole.

Rappers e autores da periferia como Ferrez (1975) e Jocenir (1951) fazem arte com a linguagem coloquial dos subúrbios. Escrita  representa a realidade urbana.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                            

Século XXI
Cenário do romance Eles eram muito cavalos (Luiz Ruffato), ganhador do troféu APCA. Aborda o dia a dia da cidade, a partir das histórias individuais de seus moradores.


Fonte: wikipédia




Paulo Bomfim


Poeta brasileiro,  membro da Academia Paulista de Letras e Príncipe dos Poetas Brasileiros.
Seu primeiro livro de poemas, Antônio Triste, lançado em 1946, com ilustrações de Tarsila do Amaral, recebeu o Prêmio Olavo Bilac, concedido pela Academia Brasileira de Letras, em 1947.
Foi presidente do Conselho Estadual de Cultura de São Paulo.

Obras literárias

  • Antônio Triste, 1946
  • Transfiguração, 1951
  • Relógio de Sol, 1952
  • Cantiga de Desencontro,
  • Poema do Silêncio,
  • Sinfonia Branca, 1954
  • Armorial, 1956
  • Quinze Anos de Poesia e Poema da Descoberta, 1958
  • Sonetos e O Colecionador de Minutos, 1959
  • Ramo de Rumos, 1961;
  • Antologia Poética, 1962;
  • Sonetos da Vida e da Morte, 1963.
  • Tempo Reverso, 1964;
  • Canções, 1966;
  • Calendário, 1968;
  • Poemas Escolhidos, 1974;
  • Praia de Sonetos, 1981;
  • Sonetos do Caminho, 1983;
  • Súdito da Noite, 1992.
  • Aquele menino (2000).
  • O Caminhoneiro (2000).
  • Tecido de lembranças (2004).
  • Janeiros de meu São Paulo (2006)
  • O Colecionador de minutos (2006).

Fonte: MENEZES, Raimundo de. Dicionário literário brasileiro. 2ª ed. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1978.


Wikipedia


SONETO I -(Transfiguração – 1951)


Venho de longe, trago o pensamento
Banhado em velhos sais e maresias;
Arrasto velas rotas pelo vento
E mastros carregados de agonias.
Provenho desses mares esquecidos
Nos roteiros de há muito abandonados
E trago na retina diluídos
Os misteriosos portos não tocados.
Retenho dentro da alma, preso à quilha,
Todo um mar de sargaços e de vozes,
E ainda procuro no horizonte a ilha
Onde sonham morrer os albatrozes...
Venho de longe a contornar a esmo
O cabo das tormentas de mim mesmo.

SONETO V - (Sonetos da Vida e Da Morte – 1963)

Toma de minhas fibras mais secretas,
De meus cansaços, de meus desatinos,
E tece teu bordado de destinos,
Tuas tapeçarias tão inquietas

Como falcões nascidos de poetas.
Toma de mim, dos nervos assassinos,
Do marulhar ternura, dos felinos
Momentos que caminham para as setas.

A manhã vem surgindo, olhos de caça
Bebem no tanque rubro do horizonte.
Célere a vida pára e depois passa.

Toma de mim agora que contemplo
Tuas pupilas, fere-me, sou fonte,
Sobre as pedras saciadas do teu templo

LITERATURA INFANTIL

Tatiana Belinky
Nasceu na Rússia dia 18 de março de 1919

Foi uma das mais importantes escritoras infanto-juvenis contemporâneas e autora de mais de 250 livros.

Nascida na Rússia, chegou ao Brasil com dez anos de idade.
No ano de 1948, começa a trabalhar em adaptações, traduções e criações de peças infantis para a prefeitura de São Paulo.

Adaptou para a televisão, no início dos anos 50, as histórias do Sítio do Pica-Pau Amarelo, de Monteiro Lobato.

Em 1987 lança o primeiro livro, Limeriques, pela editora FTD, baseando-se nos limericks irlandeses.

Suas publicações são acompanhadas por vários prêmios literários, entre eles o célebre Prêmio Jabuti,  recebido em 1989.

Além de escritora de livros famosos de nossa literatura infanto-juvenil, Tatiana também era poeta, tradutora e dramaturga. Em 2009, foi eleita para uma das cadeiras da Academia Paulista de Letras.

Tatiana Belinky faleceu aos 94 anos em São Paulo no dia 15/06/2013.


Limerique é um tipo de poesia
O limerique é um poema curtinho e bem-humorado.
Os limeriques tiveram origem na cidade de Limerick, na Irlanda, e foram popularizados por Edward Lear, um artista, ilustrador e poeta inglês. Os limeriques são poemas sem sentido, repletos de  humor presente em apenas cinco versos.
Os limeriques seguem um padrão em sua composição: São cinco linhas - o primeiro, o segundo e o quinto versos rimam; o terceiro e o quarto são mais curtos que os outros e precisam rimar entre si.
 No Brasil, a arte do limerique também foi representada por escritores como Joaquim de Sousândrade e Clarice Lispector, sendo que os mais famosos foram escritos pela escritora de livros infantis Tatiana Belinky.
“Ao ver uma velha coroca
fritando um filé de minhoca
o Zé Minhocão
falou pro irmão:
“Não achas melhor ir pra toca?”
Tatiana Belinky

“Você sabe o que é Cocanha?
Cocanha é uma terra estranha,
País que se esconde
Ninguém sabe onde -
Lugar misterioso, a Cocanha. “
Tatiana Belinky

http://www.escolakids.com/o-mundo-divertido-e-absurdo-dos-limeriques.htm



Ser criança
                                                   Tatiana Belinky
Ser criança é dureza
Todo mundo manda em mim
Se pergunto o motivo,
Me respondem "porque sim".
Isso é falta de respeito,
"Porque sim" não é resposta,
Atitude autoritária
Coisa que ninguém gosta!
Adulto deve explicar
Pra criança compreender
Esses "podes" e "não podes",
Pra aceitar sem se ofender!
Criança exige carinho,
E sim! Consideração!
Criança é gente, é pessoa,
Não bicho de estimação

http://www.escolakids.com/o-universo-encantado-e-multicolorido-de-tatiana-belinky.htm

               http://pt.wikipedia.org/wiki/Tatiana_Belinky

domingo, 19 de abril de 2015

O ÍNDIO NA LITERATURA

O INDÍGENA NA LITERATURA

Visão do colonizador
Basílio da Gama– O indígena como homem natural.
Santa Rita Durão – indígenas eram comedores de carne humana e só o cristianismo os salvaria.

Basílio da Gama
O poema épico “Uruguai” trata da expedição mista de portugueses e espanhóis contra as missões jesuíticas do Rio  Grande, para executar as cláusulas do tratado de Madri, em 1756. tinha também o intuito de descrever o conflito entre o ordenamento racional da europa e o primitivismo do índio. Basílio mostra simpatia pelo índio vencido enquanto transfere o ataque aos jesuítas. Desenvolve o poema em dois planos complementares: o dos versos e o das notas, que nele são parte integrante e explicativa da composição. As notas em prosa, paralelas aos versos, chamam a si a tarefa proposta de combater os jesuítas e exaltar pombal (o homem mais importante da época). (Fonte: ABL)



Frei José de Santa Rita Durão (Cata Preta, 1722 — Lisboa, 1784)
Religioso do período colonial é também considerado um dos precursores do indianismo no Brasil. Seu poema épico “Caramuru é a primeira obra narrativa escrita a ter, como tema, o habitante nativo do Brasil; foi escrita ao estilo de Luís de Camões, imitando um poeta clássico assim como faziam os outros neoclássicos (árcades).
Poema épico de dez cantos, “Caramuru”, influenciado pelo modelo camoniano é formado por oitavas rimadas e incluindo informação erudita sobre a flora e a fauna brasileiras e os indios do país, apresentando as cinco partes da epopéia tradicional (proposição,invocação,dedicatória,narração e epílogo). Este poema é um tributo do autor à sua terra natal. Segundo a tradição, a reação da crítica e do público ao seu poema foi tão fria que Santa Rita Durão destruiu o restante de sua obra poética.

Fonte:
wikipedia
MAIA, Geraldo.  O percurso da modernidade na literatura  brasileira.
SEIXAS, Tiago.   A figura do índio na literatura. (Fa7.edu.br)
GRAÚNA, Graça. Literatura indígena: desconstruindo estereótipo, repensando preconceitos (UFP) (dhnet.org.br/direitos descendentes)



INDIANISMO (O indígena  como herói)
Indígena como tema - criação do herói na figura do índio. Idealizado e dotado de coragem, honra etc.
Gonçalves Dias
Visão do europeu em relação  ao índígena. Reflexos das tragédias clássicas dos romances de cavalarias medievais. Reprodução dos valores europeus.
No poema “Juca Pirama”  o  índígena é  idealizado com sentido de bravura e louvor à honra. Reflete pensamentos do mundo ocidental, à de um cavalheiro medieval. “I- Juca Pirama” – Relata a morte do último remanescente da tribo tupi devorado por indígenas da tribo dos timbiras.
Publicado em 1851 no livro Últimos Cantos, é considerado a obra-prima do autor pela excelência tanto da forma quanto do conteúdo.
“Os Timbiras” - poema épico publicado em 1857 em Leipzig, na Alemanha. É uma narração dividida em uma introdução e quatro cantos. Nele é narrado os feitos de guerreiros timbiras, principalmente do chefe Itajuba e do jovem guerreiro Jatir. Altamente idealizados, estes indígenas falam apenas em valor, coragem, guerra e honra, num mundo ocupado por inimigos vis, piagas (pajés) sábios e guerreiros valorosos.
                                   


José de Alencar
O indígena entra em contato com o colonizador. Na prosa de Alencar não se fala da violência do colonizador, mas os conflitos. Da junção do nativo e do europeu (colonizador)  surge o brasileiro.
Obras indianistas de Alencar: O Guarani;  IracemaUbirajara.

A personagem Iracema do romance  Iracema deixa sua cultura para viver com um português.

No romance  O Guarani – o  indígena tem qualidades do mundo civilizado.  Um ser da tribo torna-se cristão para viver ao lado da amada Ceci.


MODERNISMO
Identidade nacional;
Visão do indígena prevalece;
A cultura brasileira sem influencias do colonizador;
Expoente: Mário de Andrade
Obra: Macunaima. Costumes dos povos indígenas com crenças populares. O personagem sofre degradação cultural quando sai da floresta para São Paulo.




Século XXI
A referência ainda é do invasor (colonizador)
O escritor indígena ainda não é reconhecido
Literatura contemporânea de autoria indígena;
Literatura Indígena – escrita por indígena;
Literatura de combate;
Relação entre oralidade e escrita;
Memória e autohistória – configura um dos aspectos do pensamento indígena da atualidade;
Escritores indígenas transmitem vivências e historias contadas pelos mais velhos.


    
ESCRITORES INDÍGENAS
CONTEMPORÂNEOS

Creomar Tahuare – personalidade atuante no NEARIN;
Darlene Taukane (1999) fala de experiência do deslocado da aldeia para completar os estudos na cidade. Transforma em livro a história do seu próprio povo. Os kutâ-Bakairi (MT)
Ailton Krenac – nascido no amazonas. Um  dos iniciadores do mov indígena brasileiro.
Carlos Tiago Hakity
Daniel Munduruku (Belém) – principal representante  do seguinato literário indígena brasileiro. Escritor premiado nacional e internacional. Vive em Lorena SP;
Eliane Potiguar ( paraibano) - Uma das mais atuantes mulheres indígenas. Livro: Metade cara, metade máscara;
Ely Macuxi - Orador indígena;
Cristina Wapixana - Coordenador do NEARIM – NUCLEO DO ESCRITOR ARTISTA INDIGENA ;
Rony Wasiry Guará  - escritor e artesão professor em Boa Vista;
Uziel Guainê ;
Elias Yagua Kág – autor do livro As aventuras do menino Kauwã – história dos marupiaras.
Lia MinapotyCom a noite vem o sono( Edit Leya);
Yaguarê Yamã - Um dos principais escritores indígenas da  atualidade. Autor de 15 livros.
Olivio Jekupé – autor de diversos livros;

Graça Graúna – na luta  pelo núcleo de escritores indígenas;