terça-feira, 9 de agosto de 2016

MARÍLIA DE DIRCEU

      TOMÁS ANTÔNIO GONZAGA  (1744-1810)  

Nasceu em Portugal e morreu em Moçambique. Filho de pai brasileiro veio para o Brasil aos oito anos.
Envolvido com a Inconfidência Mineira, foi preso em 1789 e enviado à Moçambique, na África, onde passou boa parte de sua vida. Foi na prisão que escreveu parte da obra.

É considerado um dos grandes nomes do Arcadismo.


CARACTERÍSTICAS DO ARCADISMO

Exaltação ao bucolismo (vida pastoril);
Exaltação da natureza;
Tranquilidade no relacionamento amoroso;
Universalidade (comum à maioria dos homens);
Utilização de períodos curtos;
Utilização de verso sem rima (verso branco);
Presença de entidades mitológicas.

IMPORTÂNCIA DO LIVRO MARÍLIA DE DIRCEU
Escrito no século XVIII, a obra pertence ao Arcadismo, mas já apresenta características do Romantismo.

O Arcadismo (símbolo de vida ideal) coincide no Brasil com a crise da lavoura açucareira e a descoberta das primeiras minas de ouro e pedras preciosas, deslocando o eixo econômico do país da região Nordeste para a região de Minas Gerais.

Idéias de libertação do Brasil de Portugal culminaram na Inconfidência Mineira da qual participaram muitos escritores árcades.

RESUMO DA OBRA

Primeira Parte:
Pastor Dirceu, responsável pela voz do poema, descreve todo o seu sentimento pela jovem Marília.

Escrita antes da prisão do autor, nota-se uma preocupação intensa em louvar a beleza da amada.

Outro objetivo do eu lírico nesse trecho parece ser o de se colocar à altura dela, fato que fica claro pela afirmação de uma posição social nas primeiras liras.

Além disso Dirceu apresenta  seus planos em relação ao futuro com Marília.
O eu lírico deseja uma vida bucólica (pastoril) e serena, com filhos, em um ambiente campestre fortemente marcado pela presença da natureza.

Segunda Parte:
Elaborada na prisão, local para o qual o autor e o eu-lírico se deslocam o tom é de tristeza, lamento e devaneios misturados a lembranças do passado.

Terceira e última parte:

Predomina o tom solitário e pessimista . Dirceu repete sua tristeza e saudade de Marília, sem o otimismo e o louvor à natureza presente no trecho inicial.

TRECHOS DA OBRA

"Tu não verás, Marília, cem cativos
tirarem o cascalho, e a rica terra,
ou dos cercos dos rios caudalosos,
ou da minada serra.
Não verás separar ao hábil negro
Do pesado esmeril a grossa areia,
E já brilharem os granetes de ouro
no fundo da bateia.

[...]

Verás em cima da espaçosa mesa
Altos volumes de enredados feitos;
Ver-me-ás folhear os grandes livros,
E decidir os pleitos.
Enquanto revolver os meus consultos
Tú me farás gostosa companhia,
lendo os fatos da sábia mestra história,
e os cantos da poesia.
Lerás em alta voz a imagem bela,
Eu vendo que lhe dás o justo apreço,
Gostoso tornarei a ler de novo
o cansado processo.
Se encontrares louvada uma beleza,
Marília, não lhe invejes a ventura,
Que tens quem leve à mais remota idade
A tua formosura".

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