sábado, 1 de abril de 2017

CORA CORALINA

CORA CORALINA
(20/08/1889 [Goiás] - 1/04/1985)
Pseudônimo de  Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas

Considerada uma das mais importantes da poesia brasileira, seu primeiro livro foi publicado aos 76 anos: Poema dos becos de Goiás e estórias mais

Seus primeiros escritos são de sua adolescência ( Aos 16 anos uma crônica foi publicada pelo Jornal Tribuna Espírita no Rio de Janeiro)

Cora Coralina tornou-se conhecida do grande público quando Carlos Drummond de Andrade publicou em 1980 uma crônica dizendo que sua poesia era importante. "Os versos de Cora Coralina nos remetem a um Brasil vário"

A casa onde Cora Coralina viveu seus últimos anos foi transformada em 1985 no Museu Cora Coralina, reconhecido em 2001 Patrimônio Histórico da Humanidade pela UNESCO
                                                 Fonte: Roteiros Literários

                                                                               

                                                            Fonte: wikipédia


Museu Cora Coralina

Cartas de Drummond para Cora Coralina

 Entre os itens expostos estão as cartas trocadas com Carlos Drummond de Andrade

Eca de Queiroz e João Guimarães Rosa foram influenciadores de sua obra  poética

Gostava de ler dicionários e organizava lista de palavras ( apelidos, nomes de lugares, palavras e significados)

"O grande livro que sempre me valeu e que aconselho aos jovens, um dicionário. Ele é pai, é tio, é avô, é amigo e é um mestre. Ensina, ajuda, corrige, melhora, protege." (Vintém de Cobre)


Se dizia mais doceira que autora.

Saudada por grandes nomes da literatura e ganhadora de prêmios e medalhas sua poesia questiona paradigmas socioculturais nas relações hierárquicas

presença da memória  como instrumento que reflete a experiência de indivíduos colocando em circulação  memórias coletivas no leitor

Modo de vida  solidário  do interior contrastando com a sociedade capitalista em que o individualismo é o que se  prepondera

questionamento das reclusões e submissão das mulheres

Em Vintém de Cobre denuncia a tirania vivida pela crianças do passado.


Eu sou aquela mulher
a quem o tempo
(...)
Ensinou a amar a vida.
Não desistir da luta. 
Recomeçar na derrota
Renunciar a palavras e pensamentos negativos.
Acreditar nos valores humanos.
Ser otimista.
(Vintém de Cobre)


Sozinha...
Na estrada deserta,
sempre a procurar
o perdido tempo
que ficou pra trás.

Esse trecho me fez lembrar o início de O Caminho de Swann de Proust  " ao voltar para casa, vendo minha mãe que eu tinha frio, ofereceu-me chá, (...) Ela mandou buscar um desses bolinhos pequenos e cheios chamados madalenas e que parecem moldados(...) levei aos lábios uma colherada de chá onde deixara amolecer um pedaço de madalena.Mas no mesmo instante em que aquele gole, de envolta com as migalhas do bolo, tocou o meu paladar, estremeci, (...) Invadira-me um prazer delicioso."


Desde então quando comemos alguma coisa e pensamos nas refeições de nossa infância diz-se que aquela coisa degustada é uma madeleine de Proust.
                                         

Rachel de Queiroz que certa vez foi a Goiás só conhecer Cora Tinha também esse  memorialismo dos saberes e sabores da infância :
 Era um fogão enorme, bem no centro da cozinha com uma chaminé no meio. Tinha então início o dia na cozinha de minha avó, que iria funcionar, sem pausas, até a hora do jantar. (O Nao me deixes)


Cora Coralina,  doceira de profissão, misturou poesia e doce. Sua poesia tem traços da simplicidade do interior  e as práticas cotidianas das mulheres nos seus afazeres domésticos.

  "Sou mais doceira e cozinheira do que escritora, sendo a culinária a mais nobre de todas as artes: (..) está ligada à vida e à saude humana."



Obras
"O canto da Inhuma"um dos seus primeiros poemas escrito em 1900 quando tinha 11 anos


Poesia
1965-Poemas dos becos de Goiás e estórias mais
1976 - Meu livro de cordel
1983 - Vintém de cobre - Meias confissões de Aninha
1986 - Tesouro da casa velha
2001 - Villa Boa de Goiás

Conto
Estórias da casa velha (1985)

Infantil
Meninos verdes (1986)
A moeda de ouro que o pato engoliu (1999)
O prato azul-pombinho (2002


Seus restos mortais repousam no cemitério São Miguel (Goiás) ao lado do pai. Quis ver ainda em vida sua pedra tumular inscrita com os versos que ela compôs:

"(...) Deixo o que quero para marcar minha passagem por essa vida" (Cora Coralina)


Fonte: Roteiros Literários


Que sabe você da fala das sementes? Cora Coralina

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