quarta-feira, 13 de maio de 2015

O NEGRO NA LITERATURA BRASILEIRA

O Negro na literatura Brasileira

Século XVII – versos satíricos de Gregório de Matos.

Literatura sobre o negro (Negro como objeto);
Negro ou descendente é personagem com aspectos ligados à vivência do negro na realidade histórico-cultural do Brasil (assunto ou tema);
Presença mais  significativa no século XIX;
Visão estereotipada até a atualidade.

Estereótipos
1)Escravo nobre vence por força do branqueamento embora à custa de sacrifício e
humilhação.
Ex.: A escrava Isaura (1872) de Bernardo Guimarães e Raimundo de O mulato (1881). Mulato de olhos azuis de Aloísio de Azevedo. Denúncia do preconceito; desconhece que a mãe era escrava.
2) Negro como vitima;
3) Exaltação da liberdade e causa abolicionista;

Perspectiva idealizante do Romantismo
Castro Alves -  Navio Negreiro (destaca a desumanidade que marcava o tráfico de escravos já abolido. Apela aos heróis do novo mundo Andrada e Colombo.
Ênfase na vingança (A criança e Bandido Negro).
Luta individualizada, nunca no problema central (luta pela liberdade) quando Palmares e outros colombos já existiam.
Não foge a tônica do seu tempo mas não consegue livrar-se das marcas da cultura escravista.
Indignação sobre o sofrimento do negro.
Necessidade da nação livrar-se da escravidão.
Negro coisificado
Campanha sobre a condição humana.
Liberdade – ideal da ideologia dominante.
Não dá voz ao negro.
Comporta-se como um advogado de defesa.

Fagundes Varela – Mauro, o escravo.Valoriza o negro, mas não consegue afastar da tendência ao branqueamento.
Negro infantilizado, serviçal e subalterno:
O demônio familiar (Jose de  Alencar)
 O cego (Joaquim Manoel de Macedo)

Permanece o estereótipo associado a animalização na figura de Bertoleza do romance
 O cortiço (1900) de Aloisio de Azevedo.
Negro como personagem secundário
O calhambola – de Trajano Galvão de Carvalho. Centra num escravo orgulhoso, mas resignado.
As vitimas algozes (1873-(1896) – Joaquim Manoel de Macedo. Escravo demônio tornado fera por força da escravidão.
Mota coqueiro(1877) – José do Patrocinio.
O rei negro – Coelho Neto.
A familia Medeiros (Julia Lopes de Almeida.

De fera a pervertido
O bom crioulo(1885) –  de Adolfo Caminha.
História de homossexualismo, corajosíssima para época.
A carne(Júlio Ribeiro) segundo o narrador a liberação dos instintos de Lenita se deve a promiscuidade com os escravos.
Considera a raça negra  inferior:
O presidente negro – Monteiro Lobato.

Instinto Lírico
Juca Mulato (1917) – Menotti Del Picchia.
Atitude vanguardista.
Demonstração de que os mulatos também sentem.
Negro ou mestiço erotizado ou objeto sexual presente desde Rita Baiana (O cortiço) e mulato Firmo.
Nega Fulô ( Jorge de Lima).
Poemas da negra (Mário de Andrade)  se suaviza.
Especial destaque nas mulatas de Jorge Amado.
Contribui para visão valorizadora da presença do negro na cultura brasileira embora não consiga escapar das armadilhas do estereótipo.
Jubiabá(1955) – ingênuo e simples Jubiabá.
Infantilizada e instintiva Gabriela (Gabriela Cravo e Canela).

Literatura espelho (realismo).
Negro exilado na cultura brasileira.
Urucungo (1933)  Raul Bopp.

Até os anos 60 prevalecia da visão estereotipada
Paralelo: textos compromissados com a real dimensão da etnia.
Corpo vivo – Adonias Filho- negro fiel Setembro, símbolo da antiviolência, responsável pela educação cristã do herói Cajango antes da preparação deste para a vingança.
O Forte (1965) – negro Olegário. Ele é a memória. Drama humano do Forte em torno de Salvador e o fundo histórico de salvador em torno de ambos.

Visão integradora
Luanda Beira Behid (1971) – trágica história de amor passada nesses três espaços geográficos. Destaque: estereótipo da morena sensual na personagem Luta.

Literatura denúncia
Contos de Edilberto Coutinho.
Trazem negro injustiçado e ressentido.
O fim de  uma agonia.
O rei nu – mitificação e desmitificação do negro Pelé
"Tem explicação doutor"? Consciência desesperada do negro jogador de futebol e joguete na mão dos empresários.
Navio negreiro  - novo passageiro
Mulher na jogada contraste entre a negra favelada que ganha fama e paga caro por isso e a branca privilegiada e nobre.
Um negro vai à forra ( não evita o estereótipo. Personagem negro Bira, marginal, violento, passional agressivo.
Teatro Auto da compadecida  - estranhamento de João do grilo diante da caracterização do Cristo negro.
O Orfeu negro Vinicius atualiza e carioquiza a tragédia grega ao transpô-la para a realidade urbana do Rio de Janeiro e a etniza simpaticamente, destacando a relação entre o negro e a musica brasileira.

Autores contemporâneos
Aspectos da realidade sociocultural. Década de 1980 obras preocupadas no resgate da figura do negro:
Os tambores de São Luis (1985) – Josué Montello pretende valorizar a grande saga do negro brasileiro. Exemplo de consciência negra(personagem negro dividido entre o mundo branco circunstancial e o mundo de sua ancestralidade e etnia.

Tentativa de atitude revalidadora da historia do negro
Viva o povo brasileiro (1984) – João Ubaldo Ribeiro
Busca através da arte literária a caracterização da gente do Brasil na formação do país.
Destaca a luta permanente pela liberdade.

Discurso do negro em ambiente brasileiro
José Lins do Rego - seus livros contam histórias de usinas onde o braço negro tem atuação relevante.

Distanciamento
Escritores negros e mestiços; matéria negra é eventualmente tratada.
Domingos Calda Barbosa (1740) filho de pai português e mãe africana -  De Viola de lereno.
Gonçalves Dias expressão da poesia do romantismo. Filho de pai português e mãe cafuza. A escrava(1846) A meditação (1849).

Denunciamento da situação de opressão; referências sutis.
 O horto (1900) . Areta de Souza (1876-1901) formada em colégio de religiosas francesas
Mario de Andrade (mulato) 1893-1945. Obra com passagens reveladoras de uma posição dividida. Meditação do Tietê referencia a vinculação com a etnia. Poesias completas. Poemas da negra – exalta a beleza da raça à luz da relação amorosa valorizadora. O herói Macunaíma nasce preto e vira branco.
Jorge  de Lima Serra da barriga (poema) – contribuição africana às comidas da Bahia da beleza da mulher negra mesmo na condição de escrava mas associada  a imagem destruidora de lar e ladra por força da sua sensualidade.

Praticas religiosas
Benedito calunga obambá e Batizado visão simpática mas distanciada e não comprometida com a bandeira da libertação. Negro como individuo.

Machado de Assis
Uns defendem que o fato de um mulato ter se tornado o maior dos escritores brasileiros é signifiativo para a causa da etnia, embora na sua obra não haja nenhuma assunção ideológica nesse sentido.
Outros criticam a ausência em seus textos da problemática do negro positiva e vergastam o seu branqueamento numa atitude racista.
Outros:  crítica mordaz da sociedade brasileira de seu tempo revela um modo de participação que o vincularia a uma certa literatura denúncia.
Literatura indiferente a problemática dos negros e descendentes.
Contos de Machado que envolvem escravos:
O caso da vara  - pai contra mãe, não centralizam na questão étnica mas no problema do egoísmo humano e da tibieza de caráter.
Negros e mestiços participam como figurantes em historias que refletem a realidade social retratada:
Crônica (texto  de 19/05/1888)
Na poesia visão negativa associa-se às qualidades do ideal e ao negro os mesmos aspectos dolorosos que vincula à Africa de origem.

Cruz e Sousa (poeta do simbolismo, negro, filho de escravos alforriados e educação ganha dos senhores dos seus pais, sofreu a violência do preconceito de assumir o cargo de Promotor Público em Laguna, deixa entrever nas obras marcas do conflito.


 Luta contra a opressão racial (jornalzinho O moleque) - deixa nove poemas e dois textos em prosa comprometidos com a causa abolicionista.
 Na literatura posição dividida e conflitada O emparedado em evocações. Alfredo em Emparedado lança o seu protesto contra os argumentos da ideologia dominante no discurso antropológico. Fenômeno notável de resistência cultural pelo qual o drama de uma existência sobe ao nível da consciência inconformada e se faz discurso.

No ambiente do distanciamento predomina o estereótipo
O personagem negro ou mestiço - ganha presença ora como elemento perturbador do equilíbrio familiar ou social ora como negro heróico, ora como negro humanizado amante, força de trabalho produtivo, vitima sofrida de sua ascendência elemento integrador da gente brasileira.Zumbi e a saga quilombola não habita destaques nesse espaço.

Literatura do Negro
Os protagonistas de romances e poemas são mulatos, a fim de que o autor possa dar-lhes traços brancos e, deste modo, encaixá-los nos padrões da sensibilidade branca.
Poetização da figura do negro - configurada nas manifestações literárias do século XIX
Segundo A Candido conseguiu impor a dignidade humana no negro.
Passou a ser uma via de saida confortável para o preconceitro presente na realidade brasileira na medida em que acabou escoando na aceitação do negro e do mestiço do negro reconhecendo como tal enquanto emocionalmente e socialmente bem comportados, que, como Isaura, sabem reconhecer o lugar que socialmente lhes foi imposto.
Tal imagem vem se diluindo na luta pelo afirmamento cultural e devida integração do negro à sociedade brasileira para além dos estereótipos e das distorções.

Negro como sujeito - atitude compromissada.
Literatura do negro
Luis da Gama (1850-1882) filho de africana com fidalgo branco.
Primeiro a falar em versos do amor por uma negra. Destacado por estrofes . ("Bodarrada"   e "Quem sou eu".
Lima Barreto (1881-1922) - obra vinculada à realidade social urbana e suburbana do Rio de Janeiro.
Destaque: Clara dos Anjos (1922). História de uma mulata filha de um carreteiro, iludida, traída, sofrida por causa de sua cor. Texto denuncia do preconceito. A fala final, impotente diante da angustia impacta pelo tom desesperançado: "nós não somos nada nesta vida".
Recordações do Isaías Caminha - a declaração também se revela com realismo carregado de vivencia pessoal.

(1930-1940)  - Posicionamento Engajado
(1960) - Grupos de escritores assumidos como negros ou descendentes - Continua nos  anos de 1970  e  no curso de 1980.
(1990) -  Afirmação cultural da condição negra na realidade brasileira -  continua na atualidade embora com menos repercussão publica.

Inicio do século XXI
Posição literária relacionada com os movimentos de conscientização dos negros que marcam preocupação com a causa do negro brasileiro.


Machado de Assis
Uns defendem:
1)O  fato de   um mulato ter se tornado o maior dos escritores brasileiros é significativo para a causa da etnia, embora alguns achem que sua obra não demonstre nenhum aspecto nesse sentido;
2) Outros criticam  a ausência em seus textos  da problemática do negro positiva;
3) A crítica da sociedade brasileira de seu tempo revela um  modo de participação que o vincularia à literatura de denúncia;
4) Literatura indiferente a problemática dos negros e descendentes.

Contos de Machado de Assis que envolvem escravos:
"O caso da vara" - pai contra mãe, não centralizam na questão étnica mas no problema do egoísmo humano e no caráter;
negros e mestiços participam como figurantes em histórias que refletem a realidade social retratada:
"Crônica" (texto de 19/05/1888)

Poesia
Visão negativa associa às qualidades do ideal e ao negro os mesmos aspectos dolorosos que vincula à África de origem;
Luta contra a opressão racial (Jornalzinho O Moleque)- nove poemas e dois textos em prosa  comprometidos com a causa abolicionista.

Periódicos especializados

Menelink (1915-1935)
O clarim da alvorada (1924-1937)
1931
 Frente Negra Brasileira
Interregno da ditadura de Getulio
1945
Mundo Novo
Novo Horizonte
Alvorada
Associação de negros brasileiros
1944
Teatro experimental do negro
Destaque : Abdias do Nascimento
1968
Museu de Arte Negra
1978
 Fundação do movimento Unificado contra a discriminação racial (MNUCAK)
Movimento Negro Unificado (MNU)
Centro de cultura e Arte negra (SP)
Oficial
1980 - Fundação palmares
Escritores negros e descendentes - comprometimento com a etnia
Precursor
Lino Guedes (1897-1951) - O canto do cisne preto (1926)
Urucungo (1936) e Negro   preto cor da noite (1936)
Poesia irônica com dose de autocomplacência e apelos de afirmação racial bem comportada.


Fonte: PROENÇA FILHO, Domício. In: "A trajetória do negro na literatura brasileira".





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