sexta-feira, 12 de outubro de 2012

HELENISMO (323 a. C - 146 a. C)

Entre a morte de Alexandre e a conquista da Grécia pelos Romanos.
As artes, as letras e o pensamento grego dominaram toda a cultura ocidental.
No campo científico chegou a superar a época clássica: Euclides, Arquimedes, Apolônio, Ptolomeu, Hiparco, Marcial, Hermógenes.

Motivos
Alexandre- discípulo de Aristóteles, fundador de cidades, preocupado em criar nela pólos irradiadores da cultura helênica.
Roma - discípula fiel e devota da cultura daqueles a quem vencera.

Cidades fundadas por Alexandre que vieram a granjear renome como centros culturais: Pérgamo e Alexandria. Nesta existiu uma célebre biblioteca com 700.000 volumes de todo livro notável publicado.

Em torno viviam sob o patrocínio do Estado, sábios, gramáticos, retóricos, cientistas dedicados a seus estudos e conhecidos como os helenistas-alexandrinos. Entretanto não revelaram grande criatividade na literatura.

Os retóricos contribuíram na crítica de textos. Tornaram-se precursores dos enfoques filológicos do fato literário.

Concepção da literatura no plano verbal a admitia como um instrumento com finalidades extrínsecas.

Platão  - a obra de arte tinha diferentes fundamentos para a crítica literária.
Horácio - concepção didática; crítica moralista, política e histórica.
Longino - concepção psicológica; crítica psicológica e biográfica.
Taine - concepção sociológica; crítica sociológica e histórica.
Retóricos helenistas -  concepção verbal; crítica filológica.

Aristóteles (obra fragmentada, pois uma parte se perdeu)
A finalidade da obra de arte - busca da beleza que desperte prazer.
Literatura é a arte da palavra.
Seu método era ontológico e indutivo. Platão - raciocínio normativo e dedutivo.
Descreveu o fato literário fazendo a descrição de suas funções, e através destas. atribuía-lhe valor.
Defendeu a poesia das acusações de falsa, nociva, inútil e imoral.

Horácio - assimilou muito de Aristóteles, mas o interpretou à luz platônica

Kant, Hegel e Croce -com o  advento da estética, teoria aristotélica veio a ser compreendida e valorizada.

TEORIA ARISTOTÉLICA
Todas as modalidades poéticas são formas de imitação.
Distingue poesia das outras artes;
Estabelece os princípios de gêneros literários: épico, lírico e dramático.
A tragédia - retrata homens heróicos.
A comédia - retrata homens triviais;
A Epopéia - distingue-se da tragédia pelo modo de imitar, mas se iguala pelo objeto.
Uma falsidade pode ser uma verdade ideal.
Uma impossibilidade provável pode parecer mais real que uma possibilidade improvável.
Numa obra de arte literária tudo deve ser provável, verossímel e necessário.
O objeto da poesia é a verdade geral. Não a verdade individual e local.
O poeta é capaz de alcançar uma realidade mais profunda que a realidade comum.
A poesia difere da história. A história se dedica a coisas acontecidas. A poesia pelas coisas possíveis de acontecer.
Arte é criação. Distingue do desabafo.

Como Platão considera a arte imitação de vida.
Platão - ato de copiar modelos da natureza.
Aristóteles - Arte imita a vida (mímese).
É ofício do poeta representar o que poderia acontecer, o possível seguido a verossimilhança.
É belo  o que é expressivo. Um cadáver pode ser belo quando se contempla sua imagem fiel.
Admite a forma o princípio.
Ação tem início, meio e fim.
A obra de arte transmite um novo conhecimento; desperta o prazer e produz um melhor estado  de espírito.
Tragédia despertando tema e piedade purifica esses sentimentos.
O exaurir das paixões´perturbadoras denominou catarse.
Considera a poesia boa, porque purifica emoções.
Platão a considera má, porque suscita emoções.

No século XVIII o livro A Estética,  de Aristóteles,  provocou uma retomada do pensamento grego e Aristóteles foi revisitado.

Tradição latina foi responsável pelas artes poéticas que influenciou a cultura ocidental, apesar dos abalos provocados por Santo Agostinho e S. Tomás de Aquino na Idade Média.

Iluminismo alemão - responsável pelo ocaso destes, provocou uma retomada do pensamento grego.

Fonte: PIRES, Orlando. Manual de teoria técnica e literária. 2. ed. Rio de Janeiro: Presença, 1985.
                                       (Conceitos e funções da literatura)



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